
Esta viagem
Esta viagem não responde às minhas perguntas.
Trespassei o aço das certezas.
Heranças, devorei-as.
A etapa seguinte rasga a prévia cartografia
Toda a fronteira é um apelo à renúncia.
Perscrutei mares cidades sinais nas pedras papiros.
Ao encontro da linguagem da tribo azul
cada passo me afasta de um rio sagrado.
Esta caminhada decreta um tráfico sem remissão:
a fortaleza do sonho pela metamorfose das feridas.
Vítima da memória, nenhum deus me acolhe à chegada.
Antes do poema
Súbito chegaste
quando falsos deuses subornavam
o tempo.
Chegaste para despedir
a insónia e o frio
Chegaste sem aviso
quando a estrada se abria
como um rio
Chegaste para resgatar
sem demora o princípio
Grave o silêncio rodeia o teu corpo h
ostil o silêncio agarra teu corpo
Mas já tomaste horas e caminhos
já venceste matos e abismos
já a espessura do obô
resplandece em tua testa.
E não bastam pombas em demência
no teu rosto
Não bastam consciências soluçantes
em teu rasto
não basta o delírio das lágrimas libertas.
Eu cantarei em pranto
teu regresso sem idade
teu retorno do exílio na saudade
cantarei sobre a terra
teu destino de rebelde
Para te saudar no mar e no palmar
na manhã do canto sem represas
cantarei a praia lisa e o pomar.
Direi teu nome e tu serás.
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